segunda-feira, 16 de janeiro de 2012



infância primeira
desequilibrado passo
ergo-me do tombo
meu aprendizado
criança pequena
nessa vida tão grande
nesse mundo perigoso
guardo num baú a memória
(im)pulsante, viva
e a chave joguei fora
que para começar tudo de novo
uma certeza, sou amada
mas não se pode fazer nada
é a curiosidade meu guia
e terei de experimentar a dor
para crescer


















sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Nascer de novo



dores de parto
marcam minhas contrações
grávida de mim mesma
sinto-me às portas de nascer
as palavras preparam a sala
os utensílios
colocam máscara, luvas,
roupa especial
seguram minha mão
cortam meu peito anestesiado
nove meses de gestação
o coração dilatado
esvazia agora
uma nova vida
dou-me à luz
já andando sozinha
em silente aflição
as palavras, condoídas,
me ensinam a cortar o elo
a princípio o verbo
a enxergar o caminho
da nítida compreensão





domingo, 1 de janeiro de 2012

a virada do ano
clica o passado
num estalo de consciência
psicomeçando o eu, o desejo,
o futuro
dei meia-volta em silêncio
sem festa, nem alarde
e já vivo as promessas
que sequer fiz
a chuva rega a alma
flor-de-lis
broto de criança que espera
se fecha no corpo
e tatua nos olhos
a palavra aprendiz