domingo, 25 de setembro de 2011

a cor de Deus



Deus existe.


e porque não sabemos explicá-lo
entregamo-nos ao material
e porque cegos diante de sua grandeza
recorremo-nos ao conhecido
limitado vocabulário restrito


brigamos pela razão
mas as palavras não são transparentes
Ele não está por trás do visível
como um sentido oculto


Ele simplesmente é.


e, por simplesmente ser, faz-se
diante de nossa face
basta que nosso olhar fotorreceptor
perceba a luz, interprete o sinal





sexta-feira, 23 de setembro de 2011





aprender a viver é tarefa doída
sangra a alma, cala o espírito
um caminho diz à escolha
que os outros são refugo


olhar altruísta é árduo desafio
emaranha a sintaxe, confunde o sentido
a visão amplia a vida
nas lentes do aprendizado


é tão mais fácil quando alguém aponta o destino






quarta-feira, 21 de setembro de 2011

vale a amizade!

vale cada segundo em sua companhia
vale o perdão pelos mal-entendidos
vale o voto em sua palavra
vale o que sentimos, e não, nossas dúvidas
vale o questionamento, e não, a desconfiança
vale o recomeço, se ele existir
vale a mudança de conceitos
vale entender o incompreensível
vale a insistência
vale percorrer todos os caminhos
vale nadar contra a corrente
vale a paz e o sorriso
vale o carinho e o incentivo
vale os tempos e contratempos
vale o investimento







segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sentido

as mãos sempre soltam as minhas
fico falando sozinha
os sentidos nunca chegam aos ouvidos
muito menos meu coração
escrevo em todas as línguas
faço gestos, sinais
olhar de quem não sabe o que faz
desenho na areia do tempo a intenção
e o mar, poderoso, apaga
a imagem que projetei
as palmas soam trovão
minha ideia parece revolta
minha sugestão cai no fundo do poço 
quisesse voltasse no tempo
o silêncio calaria as palavras
e o vento tirava dos dedos 
a vareta com que escrevi comunicação






domingo, 18 de setembro de 2011

Refração



nadando contra a corrente
em silêncio a alma termina
calado o instante
olvidado o desejo
convivo pacificamente com algemas
aprendi a sorrir apesar de
aprendi a viver apesar de
aprendi a me
conformar, resignar
anular


sujeito que refrata o sentido
ou espectro que quebra o vidro
minha imagem é o que vejo

sábado, 10 de setembro de 2011

Cura



fugimos da dor
e se ela o remédio for?


a vida segue
suportar a correnteza - 
golpes duros  
contra sua doçura -
aguentar firme
sem dar um passo
sofrer é ser curado


a vida segue
a água não volta
e sair da água 
é coisa para os fracos
aprendi a me equilibrar
não mais reclamo
até olho a paisagem


estou medicada pelo sofrimento
preciso apenas de um unguento



domingo, 4 de setembro de 2011



única
conversa que preenche o vazio
risada que acalma os sentidos
voz que indica o caminho
lembrança que mostra o futuro
música que agrada os ouvidos
poesia que tem significado
letra que traz o retrato
graça que alimenta o meu dia