quarta-feira, 31 de agosto de 2011



curso de rio que diz
ida pra alguma parte
de sofrimento se despe
lenço que guarda em si
rente dos olhos a cor


resto pra mim  o ar
gula de um amor por vir
meio futuro entre
cara lembrança de mas

domingo, 28 de agosto de 2011


o fim de semana vejo passar
esquecimento n. 1
penso que das palavras
origino, principio
faço meu caminho
e a história sussurra
em meu ouvido
o que devo dizer
esquecimento n. 2
penso que das palavras
tiro um sentido único
preciso, certeiro
e a memória grita
meu nome
na estrada do coração


sábado, 20 de agosto de 2011



é a imagem do desejo
que consola a ausência
a alma deságua a saudade,
a distância...
a visão acalma os sentidos...
o mundo se desfaz e se constrói
na singela lembrança
de uma fotografia

o tempo parado na história
o amor impresso no papel
projeção do corpo presente

doce invenção




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

luz
sorriso aberto
da janela um rio se estende

a felicidade se mostra
acena ofegante
um gesto tão simples, singelo,
sutil
caminha pela manhã, passa na ponte
mas nós incrédulos inveterados
terminamos incapazes
de construir com a poesia
de ouvir estrelas
de desenhar com as fotografias
de ser criança deslumbrada com o mundo

um dia nos chama a beleza mais comum
e a memória constrói
com o que faz sentido
as lembranças futuras
'Faça-se a luz!'
e a indicação do caminho
se enxerga
nas mãos da felicidade

a placa sempre está onde a colocamos



segunda-feira, 15 de agosto de 2011


da vida a má rotina
estranha, esbarra,
desatina
faço do que me enlaça
laço feliz de fumaça
canteiro de obra
nobre material
é o que me sobra
dessa triste
realidade outonal
minhas lágrimas caíram
como folhas
e meus galhos quedam
secos
esperando a verde força
da terra
lutar contra a gravidade
e mudar a paisagem da vida
a partir de meus próprios poros

domingo, 14 de agosto de 2011


já não sou mais...
flor do campo tocada pelo vento
desfez-se
perdeu-se
coração guardado não espera
ninguém lutou para que ele fosse,
existisse
não importa agora que ele sobreviva
mostrei-me lírio
e desejava proteção
de quem atravessasse o planeta
para me alcançar
hoje a realidade esquartejou
meu sonho em cada pétala
sou dente-de-leão espalhada
pelos ares
guiada pelo vento
para todos os lugares



sábado, 13 de agosto de 2011

Cachoeira


fazer do contato
espetáculo
conversa sem fim
à beira da água
fazer do diálogo
contemplação
barulho que acalma
frescor que atrai
o tempo passaria vergonha
diante da intensidade do instante
e eu viveria pra sempre
a te olhar, a te ouvir



quinta-feira, 11 de agosto de 2011


começo a ter certeza
de que lugar eu não tenho
a vida é mais simples agora
minha casa é o chão onde piso
a verdade, o horizonte a que aspiro
a felicidade, uma borboleta no caminho
começo a me ver enxergar o sol no sorriso


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

a saudade calou-se
ao ver o tempo chegar

galope ofegante
fez poeira no ar
silenciou a lágrima primeira
sofrida, perene
engoliu seco o desejo esmagado
espanou o pó do corpo pisado
ergueu-se imponente
ao ver o tempo passar

hoje a saudade à espreita
se acalma sozinha na noite escura
amarga tão triste a areia deserta
lastima o amor
ao ver o tempo acabar


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

quando uma viagem acaba
voltamos para casa
me trancarei aqui dentro com medo
de me perder no caminho
de dar com a cara na porta
do meu triste destino
de ser deixada na estação
sem o dinheiro da volta
minha casa é o coração

 

Souvenir

o tempo da viagem
a graça do caminho
o improviso do destino
a briga para dirigir
o barulho do chiclete
a paisagem do retrovisor
o riso mais sincero
a sintonia