domingo, 31 de julho de 2011

!!! a porta se abriu

conversei com a felicidade
cara a cara
enquanto meu corpo se levantava
meus olhos faziam menção de crer
ela, sentada a mesa,
comia voraz nossas palavras
dizia que tinha resolvido tudo
me propunha casamento
andar comigo pela paisagem da vida
de mãos dadas
pra sempre
só esperava minha resposta

perdi a voz
(era tudo que eu esperava)
e acordei na manhã de um domingo,
...

sábado, 30 de julho de 2011

Em silêncio me posto
diante do que está trancado
vigio a maçaneta
não há nem vestígios
nem sinal
de que a porta irá se abrir
o giro é fácil
o caminho se abre
quando na volta da chave
não há vestígios
nem sinal
faço menção de arrombar
de ir embora
que nada...
fico parada
(des)esperada
em silêncio me posto

e a porta não se abre
nem o caminho se faz

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nota

Entre cordas e curvas
o som desliza pelas casas
deitado no colo de quem chora
melodiosas canções
ficam guardadas
à espera de mãos artesãs
que harmonizem
a dor e o silêncio
em notas bordadas
pintadas esculpidas
capazes de traduzir
o coração
alegria, consolo, 
desatino
entre a gente ou comigo
desafio o destino
desafino o compasso
preencho meu abraço
com a extensão de mim mesma
instrumento mental
escondida na madeira
encontrarei a música
do meu caminho, a chave certeira





quinta-feira, 28 de julho de 2011

In-fundo

Sentada na beira do poço
enxergo teu profundo mistério absorto
um mundo inteiro no secreto escuro
dentro dos teus olhos
chega apenas o reflexo de mim mesma
em desespero
lanço a corda
deixo o balde afundar
alcanço do teu ego as entranhas
saberei quem tu és, o que pensas
e puxo com toda força
num átimo para fora
e vejo em tuas águas meu sorriso
enquanto o que escorre
devolve para sempre
ao fundo
o que não hei de conhecer.