quinta-feira, 10 de março de 2011

Cinto

Foto: Ricardo Magalhães
Fui esmagada pela cintura
fêmea que sou
Minha alegria vital
escorre pelas duras placas do medo
Sinto meu coração sair pela boca
respiro com dificuldade
O tempo passa
e eu ainda estou viva
Vejo o sofrimento dilacerar
a existência
Eu, que por desertos andei
atravessei o mundo, povos,
eras,
hoje estou aqui
punida pelo desejo
e por ele condenada
sem pernas para encontrar caminho
alimentando-me do mesmo metal
até que cheguem à corrente sanguínea
a dureza, a rudeza
a frieza.
Perderei a alegria
para continuar viva...

Nenhum comentário:

Postar um comentário