domingo, 4 de dezembro de 2011

margem



lasso, passo isso
nossa posse cessa
acesso sossegado
nesse processo pássaro
assustado girassol
passeio impassível
missão impossível
apressada dissipo


travessia da sílaba final 

domingo, 27 de novembro de 2011

por completo



a vida inteira
o tempo todo
a estrada o vento
o cheiro pouso
a cama apertada
o abraço solto
a dedicação
risada, canto
o fim de semana
quero tanto


a respiração
o reflexo na retina
exclusivo
só isso











quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Barulhinho



no peito música
no cabelo vento
no tempo folha
na dor a dança


move lento
movimento

sábado, 29 de outubro de 2011

espaço



a liberdade separa
como a morte liberta
e o fim nos sorri
porque o vidro  protege


esmurro o vento
até cansar 
e dormir
e entender
um filho


borboleta pequenina
aceito o vidro
o vento
e o caminho





quinta-feira, 27 de outubro de 2011

mapa

meu dia me consome
enquanto as letras se formam
enredo para o desejo
estrada para o encontro
conversa para o lugar


cidade projetada
o lápis traça o desenho
as ruas sabem o caminho
penso não ando
invisível forma de olhar


textualizo o abraço
e te faço sentido
virtual, pré-construído
eixo único
destino







quinta-feira, 13 de outubro de 2011



tua amizade haicai sobre mim
lua no céu aurora meu ser
filha que some
saudade infinita sombra minhas palavras
e eu permaneço
esperando você


apenas instante!
não quero ser um cubo d'estante...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Castelo



meus sonhos se ergueram imponentes
erigidos bem mais altos que a montanha
pra te ver de longe
proteger
conquistar o teu fascínio


hoje tenho um castelo
e a paisagem mais linda
que o céu permite conceber
espero uma noite tranquila
e o sol pela manhã


há um prelúdio lá fora

domingo, 9 de outubro de 2011

vertical



é mar
maravilha de voar
profunda visão ao inverso


é sol
solene posição
de se entregar


entre o imperioso abismo
e o absoluto infinito
o amor me segura no ar



domingo, 25 de setembro de 2011

a cor de Deus



Deus existe.


e porque não sabemos explicá-lo
entregamo-nos ao material
e porque cegos diante de sua grandeza
recorremo-nos ao conhecido
limitado vocabulário restrito


brigamos pela razão
mas as palavras não são transparentes
Ele não está por trás do visível
como um sentido oculto


Ele simplesmente é.


e, por simplesmente ser, faz-se
diante de nossa face
basta que nosso olhar fotorreceptor
perceba a luz, interprete o sinal





sexta-feira, 23 de setembro de 2011





aprender a viver é tarefa doída
sangra a alma, cala o espírito
um caminho diz à escolha
que os outros são refugo


olhar altruísta é árduo desafio
emaranha a sintaxe, confunde o sentido
a visão amplia a vida
nas lentes do aprendizado


é tão mais fácil quando alguém aponta o destino






quarta-feira, 21 de setembro de 2011

vale a amizade!

vale cada segundo em sua companhia
vale o perdão pelos mal-entendidos
vale o voto em sua palavra
vale o que sentimos, e não, nossas dúvidas
vale o questionamento, e não, a desconfiança
vale o recomeço, se ele existir
vale a mudança de conceitos
vale entender o incompreensível
vale a insistência
vale percorrer todos os caminhos
vale nadar contra a corrente
vale a paz e o sorriso
vale o carinho e o incentivo
vale os tempos e contratempos
vale o investimento







segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sentido

as mãos sempre soltam as minhas
fico falando sozinha
os sentidos nunca chegam aos ouvidos
muito menos meu coração
escrevo em todas as línguas
faço gestos, sinais
olhar de quem não sabe o que faz
desenho na areia do tempo a intenção
e o mar, poderoso, apaga
a imagem que projetei
as palmas soam trovão
minha ideia parece revolta
minha sugestão cai no fundo do poço 
quisesse voltasse no tempo
o silêncio calaria as palavras
e o vento tirava dos dedos 
a vareta com que escrevi comunicação






domingo, 18 de setembro de 2011

Refração



nadando contra a corrente
em silêncio a alma termina
calado o instante
olvidado o desejo
convivo pacificamente com algemas
aprendi a sorrir apesar de
aprendi a viver apesar de
aprendi a me
conformar, resignar
anular


sujeito que refrata o sentido
ou espectro que quebra o vidro
minha imagem é o que vejo

sábado, 10 de setembro de 2011

Cura



fugimos da dor
e se ela o remédio for?


a vida segue
suportar a correnteza - 
golpes duros  
contra sua doçura -
aguentar firme
sem dar um passo
sofrer é ser curado


a vida segue
a água não volta
e sair da água 
é coisa para os fracos
aprendi a me equilibrar
não mais reclamo
até olho a paisagem


estou medicada pelo sofrimento
preciso apenas de um unguento



domingo, 4 de setembro de 2011



única
conversa que preenche o vazio
risada que acalma os sentidos
voz que indica o caminho
lembrança que mostra o futuro
música que agrada os ouvidos
poesia que tem significado
letra que traz o retrato
graça que alimenta o meu dia

quarta-feira, 31 de agosto de 2011



curso de rio que diz
ida pra alguma parte
de sofrimento se despe
lenço que guarda em si
rente dos olhos a cor


resto pra mim  o ar
gula de um amor por vir
meio futuro entre
cara lembrança de mas

domingo, 28 de agosto de 2011


o fim de semana vejo passar
esquecimento n. 1
penso que das palavras
origino, principio
faço meu caminho
e a história sussurra
em meu ouvido
o que devo dizer
esquecimento n. 2
penso que das palavras
tiro um sentido único
preciso, certeiro
e a memória grita
meu nome
na estrada do coração


sábado, 20 de agosto de 2011



é a imagem do desejo
que consola a ausência
a alma deságua a saudade,
a distância...
a visão acalma os sentidos...
o mundo se desfaz e se constrói
na singela lembrança
de uma fotografia

o tempo parado na história
o amor impresso no papel
projeção do corpo presente

doce invenção




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

luz
sorriso aberto
da janela um rio se estende

a felicidade se mostra
acena ofegante
um gesto tão simples, singelo,
sutil
caminha pela manhã, passa na ponte
mas nós incrédulos inveterados
terminamos incapazes
de construir com a poesia
de ouvir estrelas
de desenhar com as fotografias
de ser criança deslumbrada com o mundo

um dia nos chama a beleza mais comum
e a memória constrói
com o que faz sentido
as lembranças futuras
'Faça-se a luz!'
e a indicação do caminho
se enxerga
nas mãos da felicidade

a placa sempre está onde a colocamos



segunda-feira, 15 de agosto de 2011


da vida a má rotina
estranha, esbarra,
desatina
faço do que me enlaça
laço feliz de fumaça
canteiro de obra
nobre material
é o que me sobra
dessa triste
realidade outonal
minhas lágrimas caíram
como folhas
e meus galhos quedam
secos
esperando a verde força
da terra
lutar contra a gravidade
e mudar a paisagem da vida
a partir de meus próprios poros

domingo, 14 de agosto de 2011


já não sou mais...
flor do campo tocada pelo vento
desfez-se
perdeu-se
coração guardado não espera
ninguém lutou para que ele fosse,
existisse
não importa agora que ele sobreviva
mostrei-me lírio
e desejava proteção
de quem atravessasse o planeta
para me alcançar
hoje a realidade esquartejou
meu sonho em cada pétala
sou dente-de-leão espalhada
pelos ares
guiada pelo vento
para todos os lugares



sábado, 13 de agosto de 2011

Cachoeira


fazer do contato
espetáculo
conversa sem fim
à beira da água
fazer do diálogo
contemplação
barulho que acalma
frescor que atrai
o tempo passaria vergonha
diante da intensidade do instante
e eu viveria pra sempre
a te olhar, a te ouvir



quinta-feira, 11 de agosto de 2011


começo a ter certeza
de que lugar eu não tenho
a vida é mais simples agora
minha casa é o chão onde piso
a verdade, o horizonte a que aspiro
a felicidade, uma borboleta no caminho
começo a me ver enxergar o sol no sorriso


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

a saudade calou-se
ao ver o tempo chegar

galope ofegante
fez poeira no ar
silenciou a lágrima primeira
sofrida, perene
engoliu seco o desejo esmagado
espanou o pó do corpo pisado
ergueu-se imponente
ao ver o tempo passar

hoje a saudade à espreita
se acalma sozinha na noite escura
amarga tão triste a areia deserta
lastima o amor
ao ver o tempo acabar


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

quando uma viagem acaba
voltamos para casa
me trancarei aqui dentro com medo
de me perder no caminho
de dar com a cara na porta
do meu triste destino
de ser deixada na estação
sem o dinheiro da volta
minha casa é o coração

 

Souvenir

o tempo da viagem
a graça do caminho
o improviso do destino
a briga para dirigir
o barulho do chiclete
a paisagem do retrovisor
o riso mais sincero
a sintonia

domingo, 31 de julho de 2011

!!! a porta se abriu

conversei com a felicidade
cara a cara
enquanto meu corpo se levantava
meus olhos faziam menção de crer
ela, sentada a mesa,
comia voraz nossas palavras
dizia que tinha resolvido tudo
me propunha casamento
andar comigo pela paisagem da vida
de mãos dadas
pra sempre
só esperava minha resposta

perdi a voz
(era tudo que eu esperava)
e acordei na manhã de um domingo,
...

sábado, 30 de julho de 2011

Em silêncio me posto
diante do que está trancado
vigio a maçaneta
não há nem vestígios
nem sinal
de que a porta irá se abrir
o giro é fácil
o caminho se abre
quando na volta da chave
não há vestígios
nem sinal
faço menção de arrombar
de ir embora
que nada...
fico parada
(des)esperada
em silêncio me posto

e a porta não se abre
nem o caminho se faz

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nota

Entre cordas e curvas
o som desliza pelas casas
deitado no colo de quem chora
melodiosas canções
ficam guardadas
à espera de mãos artesãs
que harmonizem
a dor e o silêncio
em notas bordadas
pintadas esculpidas
capazes de traduzir
o coração
alegria, consolo, 
desatino
entre a gente ou comigo
desafio o destino
desafino o compasso
preencho meu abraço
com a extensão de mim mesma
instrumento mental
escondida na madeira
encontrarei a música
do meu caminho, a chave certeira





quinta-feira, 28 de julho de 2011

In-fundo

Sentada na beira do poço
enxergo teu profundo mistério absorto
um mundo inteiro no secreto escuro
dentro dos teus olhos
chega apenas o reflexo de mim mesma
em desespero
lanço a corda
deixo o balde afundar
alcanço do teu ego as entranhas
saberei quem tu és, o que pensas
e puxo com toda força
num átimo para fora
e vejo em tuas águas meu sorriso
enquanto o que escorre
devolve para sempre
ao fundo
o que não hei de conhecer.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Salário

Estátua deformada do amor
caminha com as mãos estendidas
presenteia uma oferta
e carrega triste
no rosto a rejeição.
Atrás de sua cabeça,
outro rosto admira o tempo passado.
Olhar brilhante, vibrante,
ardente
prende o pecado.
Todos os dias
se transforma sua humana condição
numa coluna de sal: salário.

sábado, 9 de abril de 2011

Brinquedo

Foto: Ricardo Magalhães
Tudo está fora do lugar
observe o que o tempo faz
quanta solidão trouxe pra mim
e muita saudade...
Tentei mostrar-lhe que aqui,
no meu coração,
não era seu lugar...
insistiram em ficar
Acompanhar uma construção
é assistir as coisas serem
colocadas em seu lugar
é ficar mais velhos
com suavidade
mas também é levar-nos a outro lugar.
Agora já nem vivemos no passado
nem no futuro
estamos fora do lugar
Encontrar é palavra valiosa
num guarda-roupa bagunçado
num coração complicado
num caminho paralelo
Hoje vi no meio de um campo de futebol
um sofá de três lugares
e fique a pensar em coisas inusitadas
Não conheço meu lugar
por isso não posso dizer onde estou
de que lado sou e para onde vou...
talvez te faça uma surpresa

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Cachecol

Foto: Ricardo Magalhães

Por quantos ares já passei...
não há brisa mais desejada
não há temperatura mais esperada...
Sou como o vento:
ando por todos os cantos
sentindo a beleza
ao acaso me entregando...
mas como o vento
não sou a mesma por onde passo...
E hoje volto ao lugar
que fez de mim
a sensação de estar no lugar mais alto
de braços abertos
esperando um abraço...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Perfume

Foto: Ricardo Magalhães
Há sabedoria bastante em esperar.


Acalmar os sentidos
fortalecer o silêncio
sentir o perfume
a beleza enxergar
respirar bem fundo
arrepiar-se
lembrar o passado
olhar o futuro
pensar o presente
encontrar o caminho
viver o instante
aprender a ouvir.


A hora chegou.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Batom

Foto: Ricardo Magalhães

Não tive coragem de te dizer
foi preciso me embebedar
um cd antigo, música ao longe
Palavra que me levava de um lado pra outro
de tonta que estava
me deixou alta
completamente
Agora toda vez que quero te dizer a verdade
Tomo doses altas
Ponho sobre a mesa
Um copo de saudade
(às vezes tomo no bico)
e isso me faz feliz
saio de mim
cambaleando na estrada
esperando cair no teu portão

domingo, 3 de abril de 2011

Filtro solar

Foto: Ricardo Magalhães
Essa minha felicidade
é fingimento - 
por dentro é só tormento,
agonia, sofrimento
Minto para não entristecer
quem vive ao meu redor
Minto para fugir
de uma dor muito pior
Só falo a verdade quando escrevo
encontro salvação...
Quero só experimentar
mas minha consciência treinada,
carrasca, dona de mim
Não posso viver, por isso choro
Meu amor é muito grande
cabem nele tantas pessoas,
mas não posso amar...
Por isso quero estar em dois lugares
quero a sombra e quero o sol
quero o frio e o calor
meu deserto e salvador
o som e o silêncio
a fome e o alimento
Quero apenas a possibilidade
de ir contra as leis da Física
e te amar mais que a vida
dos meus sonhos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Quebra-cabeça

Foto: Ricardo Magalhães
Os jovens querem perfeição.
Os velhos sabem juntar os pedaços.

Blusa

Foto: Ricardo Magalhães
Coração culpado ou
desculpada alma.
Olhar condenador
ou misericórdia.
360 graus ou
meia-volta.
De que lado está?
Foge da flecha o alvo
rasura em alvo tecido
palavra perdida no escuro
escolhe percurso o caminho
De que lado olha?
Ângulo. Fogo. Posição.
Ponto de vista.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Meias

Foto: Ricardo Magalhães
São lindos os pés
que estão na dança da vida!
A música balança a fé destemida...
Basta pôr o pé na estrada
e, pé no chão,
de estrelas, a mão bem cheia,
pé na areia,
liberdade encontrarão.
Os pés são caminho
entrada, destino
Frágil sustento,
Para o corpo, unguento
Da alma, raiz
Na busca feliz,
ficarão as pegadas.

terça-feira, 29 de março de 2011

Caixa de músicas

Foto: Ricardo Magalhães
Espírito livre
busca consciência
das coisas da vida
do ser, humano
Imarcescível desejo
para o homem comum
centro maior que o mundo
Falta fantasia para
penetrar no interior
de outros seres
Captar em si, não seu
consolo e trégua
mas o desespero
Tomar parte em seu
destino e sofrimento
sem desesperar
do valor da vida
Onde estão os homens
de pensamento universal?
A simpatia pela vida
só existe mesmo para
quem delimita a existência
E quem pensa puramente?
Quem vê os outros?
Quem se sente tão esbanjado?
Certamente, apenas
um poeta.
Os poetas sabem sempre
se consolar.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Corda

Foto: Ricardo Magalhães
Que separação há entre as coisas?
Apenas uma linha divide
o sim e o não
o dentro e o fora
o ar e o vácuo
o ser humano, macaco
Para estar sozinho
é só dar um passo pra trás
Cortar a linha para nascer
O branco, tinta, escrever
Cruzar a linha, vencer a batalha
Entender o que não entendia
Segurar com as mãos a vida.

domingo, 27 de março de 2011

Lente

Foto: Ricardo Magalhães

Durmo de dia
pra reservar energia
e de noite pra sonhar
Desço poucas vezes ao chão
prefiro a fantasia de voar
Agarrada a meu
tronco de versos
sinto o vento
De olhos fechados
vejo um mundo diferente

sábado, 26 de março de 2011

Chale

Foto: Ricardo Magalhães
O que nos mostra o caminho?
o desejo
corvo negro da solitária decisão
os passos obedecem à dúvida
e a estrada se faz
infuso tema da vida
borda a espera
e o silêncio
pássaro futuro mistura a tinta
mas esboça o traço ferido
cores erradas, esquálido tecido
tentativa? sorte? destino?
história premeditada
reviravolta
vira voo
braços abertos ao encontro
apenas o grito da ave
ecoa no alvo horizonte
e o vento espalha no chão
as brancas penas do medo.

Sapato

Foto: Ricardo Magalhães

Dogma que me limita
ou princípio que me guia?
Se há luz no meu olhar,
é louvor para o meu Deus.
Sou importante para o mundo, dizes,
mas que, por eles, me não transformei.
Não me vejo ser quem sou
sem ter aprendido...
Se a asa da borboleta
tivesse batido em outro lugar,
ou antes, depois da noite,
teria sentido o mesmo vento
ou que tornado me levaria?
Tudo em que acredito
não combina comigo...
Tudo que busquei
não é felicidade...
Tudo a que obedeço
não me liberta...
Olho para o céu
e encontro meu Deus voando
olho ao redor
e não quero caminho
Quando ensino, quando canto,
quando amo,
sigo as trilhas da luz.
Estou aprendendo a voar...
Mas quero companhia.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Espelho

Foto: Ricardo Magalhães

a imagem não reflete, ultrapassa
tua essência não esconde, revela
passa em teu interior
é digerida, processada
tua superfície silenciosa de opinião
filtra o olhar
e o mundo se mostra
através
transparente parede da visão
a luz que perpassa tuas propriedades
se dissolve em pensamentos
ideias formuladas, planejadas
e a palavra se forma...
vai e volta... atravessa o vidro da alma
reflexo da imagem
mutação da muralha da personalidade
 minha leitura do mundo

terça-feira, 22 de março de 2011

Nécessaire

Foto: Ricardo Magalhães

enigma feroz do amor
esconde num segredo a resposta
tempo que levo para descobrir
a natureza carrega na sombra
mesmo longe lhe dá vida
enquanto aparece, ela se esconde
e o oculto anelo se mostra
revela, transcende
em toda célula do corpo
em cada fio de cabelo
minha órbita celeste no jardim obscuro
só tem luz por sua existência

segunda-feira, 21 de março de 2011

Carteira

Foto: Ricardo Magalhães

Dura estrada de
Único sentido
Escolha em
Um segundo
Um passo
Para o futuro
Engano corrigido?
Sonho transportado?
Duplo sentido.

domingo, 20 de março de 2011

Câmera

Foto: Ricardo Magalhães

olhar é intenção.
movimento meu desejo
para onde direciono minhas retinas
janela aberta do ser
que se revela transparente
humana definição abstrata
determinada objetivamente
olho o horizonte
o emprego, a criança
a visão se faz pensamento
e o pensamento transforma a visão 
controle remoto da mente 
cores, foco, efeitos 
segundo a luz do meu olhar 
o mundo é projetado 
e por si mesmo planejado.

sábado, 19 de março de 2011

Vestido

Foto: Ricardo Magalhães

Salve-me!
Estou mergulhada no mar da paixão...
Esse bem querer dentro de mim
Envolve-me profundamente.
Essa saudade do que ainda não tive
Amarra-me uma corrente. Salve-me!
Só você pode me fazer livre
Só você sabe quem eu sou
E eu sou se você estiver comigo.
São teus braços que me podem salvar.
Teus beijos, me alimentar.
Sou toda teu cheiro, tua voz, teu olhar...
Teu jeito está em mim
Como a branca pele desse corpo ausente.
Meu olhar sem pudor busca invadir teu coração:
Cliques parados num apaixonado sorriso...
Mas o que guardo dentro de mim
Nem a sombra demonstra tamanha paz
Muito menos as flores, sua beleza 
É só para ti, sem pudor.


E o silêncio tampa os ouvidos...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Bússola

Foto: Ricardo Magalhães

Esferático caminho de uma terra deserta
esconde no infinito a busca lunática
derrama no horizonte
o rio petrificado e seco do desejo
e dos olhos a esperança primeira
a cada piscar distraído,
preguiçoso, pré-ocupado
lentamente as cores se abrem
o que era pedra se fecha
oportuna hora do sonho
acordo alucinado,
atordoado, amedrontado
seguindo em frente caio no abismo
parado me pego em chamas
a dor meço
faço as contas
cá ninho, carinho
caminho
e não saio do lugar.