sábado, 9 de março de 2013


a vida anda feito criança
laça o caminho e dança
leve sobre o passado
esbarra nó liberdade
enreda bem forte história
embaraço que se envergonha
da abóbora brisa suave

felicidade voa simples
toque de pólen
poesia à deriva 
na fotografia e na vida






terça-feira, 8 de janeiro de 2013


não se culpe pelo brilho da lua
ele valsa pelo nosso encanto
ainda que o sentido escureça
e o limite se faça medo 
e o silêncio, distância
cuida dessa cor, fantasia
ritmo de um beijo presente
intrínseca música do espaço
pelo toque do corpo verbal



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

desenho


traço que alinha a memória
sistema em jogo
polimorfo sentimento
(a)parece no vazio
(des)aparece o delírio
escrito a lápis o sorriso
descrito a sangue o silêncio
imagem da mão que fala
desenho da polissemia
salta da folha
o motivo, o real do espaço
poetiza a curva que traço


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

tesouro



macia cor que te guarda
suave idade
olhos para o coração
que se faz pólen
alma para o vento
que se faz flauta
a soar primavera
a esperar o encanto pássaro
a descobrir e se por
na quieta rósea flor
tesouro que espalha e semeia
indizível silêncio
mergulho do olhar extático
no espanto barulho do medo
na alegria suave do amor
- foi só um beijo!


domingo, 4 de novembro de 2012

flores para o horizonte



dois mundos se tocaram
do mar, o céu se engravidou
choveu de emoção
deu à luz
filho interstício do azul, entremeio
uma linha chamada horizonte
marinho segredo
celeste passagem do medo
para o amor
enquanto os barcos da vida iam e vinham
levando a rotina de cargas pesadas
a terra produziu uma oferta
e o perfume vermelho do silêncio
entregou ao vento seu presente


sábado, 13 de outubro de 2012

corpo



feras selvagens têm a forma do silêncio
sentidos em potencial, basta um rio sens
paisagem fundadora de segredos
um olhar e a música toca
um adeus e o tempo chora
é preciso corpo para a compreensão
o sentido experimenta uma forma
sinestésica ilusão
o real é inventado
e sua beleza ambígua
grita caminhos ao insensato

e o silêncio anda profundo
como o abismo e o céu imenso


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

linha do tempo

as cores e conversas se espelham
indizível beleza azul 
invisível laço sereno
o início se confunde
ao esforço de ser feliz

a terra limita o céu
mas suas asas infindas
abraça a tarde ainda
espalha sua luz fiel

e o dia dura meses
até chegar o por do sol
prêmio do horizonte
beijo da noite imensa
linha que se desfaz




sábado, 22 de setembro de 2012

Primavera


à minha janela uma árvore se mostra
arrancaram-lhe esses dias os sapatos
e ela se quedou vazia, ferida, descalça
galhos secos alcançaram o chão
ela não quis sapatos novos
tratou de esperar a chuva
nutrir-se do orvalho
suportar o calor
num momento preciso
um átimo consciente
desejou sair do lugar
(e como se fosse ter juízo 
pela primeira vez
sentiu o coração raiz ensimesmado
sustentando o mundo erosivo
absorvendo a vida longitudinal)
espirituou-se na estação
e inundou a paisagem 
de uma beleza lilás


domingo, 16 de setembro de 2012

identificação

há sentidos perdidos em vão
poderiam seguir no coração
há sentidos carregados consigo
poderiam perder o tempo abrigo
há sentidos (im)postos
(in)conscientes
(in)cursos
no meio deles
as palavras se assujeitam
e o silêncio se intimida
ah, sem ti dos réus pensamentos



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

diz(para)

e o caminho se faz sozinho
dou o que mais procuro
é me tirado
projeção do desejo
carinho sufocado
inundado mergulhado
ilusão de sentido
efeito de imanentes
ondas profundas
pés cortados
perco a estrada e o destino
o carinho escorre
encharca de alma
o chão e o vestido